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Archive for the ‘Críticas’ Category

De maneira geral, não é difícil ouvir pessoas que moram em Belém do Pará dispostas a criticar o nosso cenário musical. Tais críticas que cheiram ao dito popular do santo milagreiro/estrangeiro, ao que me parece, são direcionadas fundamentalmente a aspectos como: poucos lugares para tocar; falta de recursos financeiros para financiar eventos; pouco valor atribuído a estilos musicais que saem um pouco da “praga do desconhecimento”; entre outros.

Mesmo assim, existem opiniões favoráveis baseadas nos mais variados aspectos, mas que incluem principalmente a boa qualidade musical de alguns que continuam por aqui – e eu nem preciso citar nomes, pois mesmo o menor conhecedor pode lembrar rapidamente de pelo menos duas pessoas excelentes.

Mas o que me interessa neste texto é enunciar alguns pensamentos que, ao meu ver, são os grandes responsáveis por frear a música em nossa cidade. Para isso, comentarei acerca desses três pontos citados acima.

  • “Poucos lugares para tocar”: Ao meu ver, Belém é uma cidade repleta de bares com um espaço disponível para apresentações e que pagam bem. Sim, repito que pagam bem, pois duas horas de apresentação musical pagam melhor do que alguns plantões hospitalares de 12 horas além de seu turno – só para citar um exemplo. Fora esses lugares disponíveis, existem outros que não possuem programação musical, mas que precisariam apenas de uma boa proposta – uma visão empreendedora (não estou tirando isso de idéias infudadas, mas de minha própria experiência). Além disso, bares de São Paulo – capital mundial – pagam de forma semelhante;
  • “(…) falta de recursos financeiros para financiar eventos” e “(…) pouco valor atribuído a estilos musicais que saem um pouco da ‘praga do desconhecimento’”:

Este ponto merece considerações mais amplas. Começaremos pela idéia de ser “músico” como profissão. Pense rápido em um músico trabalhando. Pensou? Sem dúvidas você deve ter imaginado um palco, uma banda, vários fãns, etc. Sim, isso também é ser músico, mas aí mora um grande problema. Para encontrar a chave da questão é só pensar na evolução do trabalho do psicólogo, como um exemplo: lembramos subitamente da clínica e do atendimento individual e esquecemos que essa é só uma das frentes de trabalho atuais. Tal como em outras profissões, o músico hoje em dia deve se tornar um trabalhador atuante em vários campos: direção musical, roadie, organização de evento, técnico de som, técnido de estúdio, professor, instrumentista, etc.

No entanto, alguém poderia argumentar: “Ah, mas vai fazer isso aqui em Belém? Vais morrer de fome!”. E eu digo, será que nossos colegas do eixo Rio–São Paulo também não passaram maus bocados? Logicamente que sim. Como diria minha avó: “Quem não chora não mama”. No entanto, quando se cresce, chorar não basta. Pra se ter um espaço digno em que a cultura musical favoreça tanto os músicos quanto os ouvintes, é necessário um trabalho árduo, planejado, em conjunto e a longo prazo. Ou você acha que São Paulo sempre foi do jeito que é? Não, é necessário um posicionamento realista e fundamentado nos benefícios que a cultura traz pras pessoas – um patrimônio da humanidade. E ainda discordo de Chico Buarque quando ele diz que “a música não serve pra nada”, pois mesmo tentando ele ser metafórico com essa afirmação, esquece desse bem como patrimônio da nossa alma (Não creio que a civilização pudesse existir sem música). E além disso, os músicos sabem do que estou falando, quem não sabe é a grande maioria, e para os quais tal realidade deve ser mostrada.

Com isso, não critico quem sai de Belém para estudar e tentar “coisas” fora, mas discordo de quem imagina a vida lá como a redenção, a salvação para os dias ruins no norte do país. Acredito que se deva sair sim, quando se quer melhorar e as oportunidades de fora oferecem maiores caminhos, ou coisas que aqui não temos.

O que geralmente ocorre é a tentativa de aproveitar o que já está feito. Afinal de contas, lá, eles têm resultados do que se plantou com muito esforço, e por vezes parece mais fácil tentar colher em terra que já está tudo “pronto e bonitinho”. Pra mim, o que se pode fazer é aprender “como plantar” e “como colher” e voltar pra cultivar seus próprios frutos. Por outro lado, não tenho nada contra quem deseja ir para outros lugares viver, mas acho muito difícil entender quem vê a vida de fora como a cura para todos os seus males.

Por fim, sejamos realistas e construtores dos nossos sonhos e não somente apostadores de um impossível mega prêmio, um golpe de timão do “sucesso”.

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Mara! (quem fizer piadas de gíria leva tiro de AK-47 na panturrilha) é uma banda australiana de Folk Rock. Ou Prog Folk, não sei dizer. Pus minhas mãos no CD “Images” deles e me deslumbrei com as interpretações fascinantes que eles dão a diversas músicas tradicionais, especialmente à faixa “The Dance of Zalongou”, uma música folclórica grega sobre a morte de mulheres que preferiram se jogar de penhascos a entregar seus bebês a soldados húngaros.

Para intuitos de socializar este bem privatizado e capitalizado, o Kremilin não divulgará links de arquivos, MAS dará duas dicas:

1. Site de downloads oficial da banda, onde se pode encontrar diversas músicas para downloads – Recomendo a faixa “Eight Symbolic Offerings”, relacionada à tradição tibetana de oferecer oito oferendas a um tirthankara.

2. Eu acho que vocês deviam dar uma olhada lá pelo ProgNotFrog – vocês podem ter uma surpresinha boa.

3. O myspace do “Mara!” tem bastante material para ser apreciado.

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