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Personagem inspirado no lado “gentil” de Giovanni Gentile

Pretendo superar dialeticamente todas as oposições sem suprimi-las. Quem me conhece diz que sempre consigo ver o lado bom das coisas e das pessoas. Falando de arte então, permanece essa constante. Meus amigos sempre me exprimem coisas do tipo: “Hum, não tinha pensado nessa possibilidade. Acho que é a crítica mais ‘positiva’ que já ouvi sobre isso”.

Então, se pode perceber que uma certa bondade  acompanha-me. No entanto, embora seja raro, dependendo do que se apresenta a mim, nem o maior esforço pode superar um “Rapaz, não gostei nem um pouco”. E, geralmente, minhas críticas negativas começam com um: “Se fosse eu, talvez não fizesse dessa forma”.

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Dediquei uma boa parte – aparentemente não o bastante, como verifico hoje em dia – de minha vida ao exército. Passei mais de vinte anos lutando por posições dentro do labirinto burocrático do Kremilin. Ganhei a confiança dos mais altos cargos do partido, incluindo o bom olhar do próprio Stalin. Eu estava lá, no glorioso Outubro. Lutei pela causa socialista, ganhei diversas condecorações – incluindo a “Orden de Kutuzov” – pelos meus sacrifícios, galguei os mais altos escalões do NKVD, e isso tudo para quê?!

Para me tornar a babá dos filhos de Stalin.

Às vezes eu realmente não consigo imaginar outra atitude de alguém como Stalin: Para tutor de seus filhos, escolhe um assassino do serviço secreto. Talvez ele queira apenas tornar verdadeiro o provérbio “tal pai, tal filho”. Quem sabe?! E o pior de tudo: sou mais conhecido pela foto de Stalin fazendo “Yeah, brow!” do que pelos meus feitos! Mais pela máquina de fotografia doque pelo fuzil!? Que vergonha para um soldado…

Mas um verdadeiro militar – NÃO! Um verdadeiro comunista não questiona! Ele se entrega à causa! E se tenho que abdicar da minha natureza combativa para ensinar o bê-a-bá (e eventualmente como se destrincha uma galinha viva) para essas crianças, eu irei!

Mas nem tudo é desvantagem. Ao menos aqui, no centro de poder do Kremilin, enquanto eu não preciso ensinar essas crianças a manejar um rifle SVT-38 (Algo básico, assim! O que eles ensinam nas escolas russas afinal?!) posso me dedicar à minha verdadeira vocação: A arte! A música! Aparentemente eu gozo de grande poder e influência entre os artistas da região. Ah, como é deliciosa a vida na comunidade vermelha do oriente. Irei aconselhá-los com boas palavras e, sob o meu olhar carinhoso, o movimento artístico florescerá na união Soviética!

E ensinarei tudo sobre arte aos pentelhos de Stalin. Pelo menos isso eles irão me agradecer!

***

Muitos anos depois…

Trecho das memórias de Svetlana Allilueva, filha de Stalin, sobre Nikolai Vlasik

“Era um iletrado, tolo, idiota e um déspota extremamente cara-de-pau. De tão corrompido por autoridade, começou a ditar como artistas deveriam se portar, espalhando a forma do camarada Stalin de ver as coisas. Nenhum evento no ‘Big Theatre’ ou no ‘Georgia’s Hall’ poderia acontecer sem o consentimento de Vlasik – isso, obviamente, não graças a sua competência no assunto, mas simplesmente porque ele mandaria o NKVD matar uma parte aleatória da familia de quem não o obedecesse. No melhor dos casos! A única coisa boa que executou foi aquela estúpida foto de meu pai fazendo um maldito Hang-loose!”